A EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ
NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO.
A inclusão de pessoas com surdez na escola comum requer que se busquem
meios para beneficiar sua participação e aprendizagem tanto na sala de aula
comum como no Atendimento Educacional Especializado, sendo que o AEE de acordo
com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva tem como função identificar, elaborar e organizar recursos
pedagógicos e de acessibilidade eliminando barreiras para a plena participação
dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
Observa-se que através da Política Nacional de Educação Especial numa
Perspectiva Inclusiva, o processo de inclusão está se efetivando nas escolas e
nos mais diversos níveis de escolaridade, pois se trata de uma política que
busca valorizar e respeitar o homem em suas especificidades, mas que se igualam
na convivência, nas relações e nas interações. Neste sentido, em particular a
pessoa com surdez deve ser vista como um ser que possui potencialidades,
singularidades e diferenças, mas que é capaz de construir conhecimentos, como
também de se desenvolver tão bem quanto os ouvintes.
A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil
até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de
que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus
direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios
constitucionais do nosso país.
Em 1925, Vygotsky (1997) faz suas reflexões sobre a
educação dos surdos, e considera que:
Até o presente não
temos um sistema cientificamente elaborado e competente nem em forma de teoria
pedagógica de educação da criança surda, nem em forma de teoria psicológica de
seu desenvolvimento evolutivo e das particularidades físicas vinculadas ao
problema no ouvido e déficit social, quero dizer, a ausência da linguagem oral
(ibid., p115).
Em 1930, escreve sobre o desenvolvimento lingüístico
das crianças surdas, admitindo que “das diferentes formas da criança se
comunicar, deve-se valorizar, em primeiro lugar, a mímica e linguagem escrita”
(ibid, p. 353). Por volta de 1934, em seus escritos sobre pensamento e
linguagem, considera que:
A linguagem não
depende necessariamente do som. Há, por exemplo, a linguagem dos surdos-mudos e
a leitura dos lábios, que é também interpretação de movimentos. (...) Em
princípio, a linguagem não depende da natureza material que utiliza. (...) Não
importa qual o meio, mas sim o uso funcional dos signos, de quaisquer signos
que pudessem exercer um papel correspondente ao da fala nos homens (VYGOTSKY,
1998, p. 47).
O AEE para alunos com surdez, na perspectiva inclusiva estabelece como
ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial e das
capacidades dessas pessoas, vislumbrando o pleno desenvolvimento e a
aprendizagem. Sendo reconhecido e assegurado por meios legais o direito a uma
educação bilíngüe, em todo processo educativo. Por meio de uma metodologia
vivencial de aprendizagem, os alunos ampliam sua formação.
O AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em
duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa. A prática pedagógica do AEE
parte dos contextos de aprendizagem definidos pelo professor da sala comum, que
realizando pesquisas sobre o assunto a ser estudado elabora um plano de
trabalho envolvendo os conteúdos curriculares.
A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil
até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de
que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus
direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios
constitucionais do nosso país.
Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisam de
ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento, explorem suas
capacidades, em todos os sentidos. O
plano de AEE é elaborado de acordo com estudos prévios das habilidades e
necessidades educacionais dos alunos com surdez, levando em consideração as
possibilidades e barreiras que estes alunos encontram no processo de
escolarização.
Considerando a necessidade do desenvolvimento da capacidade
representativa e lingüística dos alunos com surdez, a escola comum deve
viabilizar sua escolarização em um turno e o Atendimento Educacional
Especializado em outro, contemplando os três momentos pedagógicos: O ensino de
Libras, o ensino em Libras e o ensino da Língua Portuguesa.
Para atuar no ensino de Libras, o professor do AEE precisa ter
conhecimento estrutura e fluência em Libras, desenvolver os conceitos em Libras
de forma vivencial e elaborar recursos didáticos.
AEE para o Ensino da Língua Portuguesa é de extrema importância para o
desenvolvimento e a aprendizagem do aluno com surdez e deve ocorrer na Sala de
Recursos Multifuncionais também no contra turno e deve ser desenvolvido por um
professor com formação em letras ou que tenha habilidades e conhecimentos
lingüísticos da língua portuguesa. É uma proposta bilíngüe onde o aluno surdo
aprenderá a Libras como língua mãe e o português que é a língua da comunidade
ouvinte.
Portanto, o Atendimento Educacional Especializado e o atendimento na sala
de aula regular devem caminhar em parceria visando sempre o desenvolvimento e a
aprendizagem dos alunos com surdez.
Referências:
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Escogidas. Fundamentos de Defectologia. Tomo V. Edicion em lengua castellana.
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_________.Mirlene Ferreira Macedo. Educação
Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e
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