sábado, 22 de março de 2014

A EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO.

A EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM CONSTRUÇÃO.

A inclusão de pessoas com surdez na escola comum requer que se busquem meios para beneficiar sua participação e aprendizagem tanto na sala de aula comum como no Atendimento Educacional Especializado, sendo que o AEE de acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade eliminando barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
Observa-se que através da Política Nacional de Educação Especial numa Perspectiva Inclusiva, o processo de inclusão está se efetivando nas escolas e nos mais diversos níveis de escolaridade, pois se trata de uma política que busca valorizar e respeitar o homem em suas especificidades, mas que se igualam na convivência, nas relações e nas interações. Neste sentido, em particular a pessoa com surdez deve ser vista como um ser que possui potencialidades, singularidades e diferenças, mas que é capaz de construir conhecimentos, como também de se desenvolver tão bem quanto os ouvintes.
A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso país.
Em 1925, Vygotsky (1997) faz suas reflexões sobre a educação dos surdos, e considera que:

Até o presente não temos um sistema cientificamente elaborado e competente nem em forma de teoria pedagógica de educação da criança surda, nem em forma de teoria psicológica de seu desenvolvimento evolutivo e das particularidades físicas vinculadas ao problema no ouvido e déficit social, quero dizer, a ausência da linguagem oral (ibid., p115).

Em 1930, escreve sobre o desenvolvimento lingüístico das crianças surdas, admitindo que “das diferentes formas da criança se comunicar, deve-se valorizar, em primeiro lugar, a mímica e linguagem escrita” (ibid, p. 353). Por volta de 1934, em seus escritos sobre pensamento e linguagem, considera que:


A linguagem não depende necessariamente do som. Há, por exemplo, a linguagem dos surdos-mudos e a leitura dos lábios, que é também interpretação de movimentos. (...) Em princípio, a linguagem não depende da natureza material que utiliza. (...) Não importa qual o meio, mas sim o uso funcional dos signos, de quaisquer signos que pudessem exercer um papel correspondente ao da fala nos homens (VYGOTSKY, 1998, p. 47).


O AEE para alunos com surdez, na perspectiva inclusiva estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial e das capacidades dessas pessoas, vislumbrando o pleno desenvolvimento e a aprendizagem. Sendo reconhecido e assegurado por meios legais o direito a uma educação bilíngüe, em todo processo educativo. Por meio de uma metodologia vivencial de aprendizagem, os alunos ampliam sua formação.
O AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa. A prática pedagógica do AEE parte dos contextos de aprendizagem definidos pelo professor da sala comum, que realizando pesquisas sobre o assunto a ser estudado elabora um plano de trabalho envolvendo os conteúdos curriculares.
A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso país.
Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento, explorem suas capacidades, em todos os sentidos.  O plano de AEE é elaborado de acordo com estudos prévios das habilidades e necessidades educacionais dos alunos com surdez, levando em consideração as possibilidades e barreiras que estes alunos encontram no processo de escolarização.
Considerando a necessidade do desenvolvimento da capacidade representativa e lingüística dos alunos com surdez, a escola comum deve viabilizar sua escolarização em um turno e o Atendimento Educacional Especializado em outro, contemplando os três momentos pedagógicos: O ensino de Libras, o ensino em Libras e o ensino da Língua Portuguesa.
Para atuar no ensino de Libras, o professor do AEE precisa ter conhecimento estrutura e fluência em Libras, desenvolver os conceitos em Libras de forma vivencial e elaborar recursos didáticos.
AEE para o Ensino da Língua Portuguesa é de extrema importância para o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno com surdez e deve ocorrer na Sala de Recursos Multifuncionais também no contra turno e deve ser desenvolvido por um professor com formação em letras ou que tenha habilidades e conhecimentos lingüísticos da língua portuguesa. É uma proposta bilíngüe onde o aluno surdo aprenderá a Libras como língua mãe e o português que é a língua da comunidade ouvinte.
Portanto, o Atendimento Educacional Especializado e o atendimento na sala de aula regular devem caminhar em parceria visando sempre o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos com surdez.

Referências:

VYGOTSKY, Lev Semionovic. Obras Escogidas. Fundamentos de Defectologia. Tomo V. Edicion em lengua castellana. Madrid – Espana: Visor Dis, 1997.

BUENO, José Geraldo S. Diversidade, deficiência e educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº 12, p. 3-12, julho-dezembro, 1999.
_______. Educação inclusiva e escolarização dos surdos. Revista Integração. Brasília: MEC. nº 23, p. 37-42, Ano 13, 2001.

BRASIL. Língua Brasileira de Sinais/organizado por Lucinda F. B. et. al. Brasília: MEC/SEESP, 1997. V.III. – (série Atualidades Pedagógicas, n.4)

­­­­BAKHTIN, M. (V.). Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1986.

­­­­DAMÁZIO.Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado.
_________.Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005.  p.108 - 121.   

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

MARTINS, Maria H. O que é leitura? São Paulo: Brasiliense, 1982.

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 3 ed. Lisboa: Stória, 2001.

PIERUCCI, Antonio Flávio. Ciladas da Diferença. São Paulo: Editora 34, 1999.







Um comentário:

  1. Parabéns Socorro ,seu texto está bom e foi desenvolvido conforme exigência da equipe PS.
    Abraços
    Sandra

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