João Pessoa, 21 de abril de 2014.
Maria do Socorro Caetano Leite
Atividade do Blog.
INFORMATIVO:
SURDOCEGUEIRA E DMU-DEFICIÊNCIA
MÚLTIPLA.
Segundo Ikonomidis:”
o termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para
caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem
física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. No entanto,
não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência,
mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de
comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades
educacionais dessas pessoas.” (MEC – 2006) . Além da “Deficiência Múltipla” também tem pessoas com “Deficiência Múltipla
Sensorial”, que apresentam peculiaridades
próprias. “Considera-se uma criança com deficiência múltipla sensorial aquela
que apresenta deficiência visual ou auditiva, associada a outras condições de
comportamento e comprometimentos, sejam elas na área física, intelectual ou
emocional, e dificuldades de aprendizagem.” (MEC/SEESP/2006).
Quase sempre, os
canais de visão e audição não são os únicos afetados, mas também outros
sistemas, como os sistemas tátil (toque), vestibular (equilíbrio),
proprioceptivo (posição corporal), olfativo (aromas e odores) ou gustativo
(sabor). “Comprometimentos em uma dessas áreas podem ter um efeito singular no
funcionamento, aprendizagem e desenvolvimento da criança (Perreault, 2002).”
É importante
esclarecermos que as pessoas com surdocegueira não são classificadas como
múltiplas, pois quando elas têm oportunidades interagem com o meio e com as
pessoas adequadamente.
Segundo a Lei
7.853, de 24 de outubro de 1989 define-se como:
• Deficiência múltipla – a associação,
no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual /
visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam consequências
no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.
Segundo Orelove e
Sobsey (2000) as pessoas com deficiência múltipla são indivíduos com
comprometimentos acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimentos
no domínio motor ou no domínio sensorial (visão ou audição) e que requerem
apoio permanente, podendo ainda necessitar de cuidados de saúde específicos.
A deficiência
múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou adquirida.
Esses mesmos autores referem ainda que não se trata da somatória de
deficiências. Segundo Nielsen, é difícil para uma pessoa lidar com uma
deficiência se seus recursos são insuficientes por outra deficiência. E que
devemos pensar, no caso de uma pessoa cega com déficit intelectual, que é uma
pessoa deficiente cuja cegueira esta multiplicada pelo déficit de inteligência.
A autora diz ainda que quanto maior for o numero de deficiências, maior o risco
da pessoa não conseguir fazer uso de todas as habilidades que possui e, assim
sendo, a associação de diferentes problemas resultará em necessidades
educacionais únicas.
Dentre as diferenças e/ou semelhanças
entre Surdocegueira e a DMU podemos destacar
que ambos podem aprender a se comunicar
por meio de gestos, mas podem ter dificuldades para conseguir uma comunicação
usando símbolos abstratos tais como: palavras faladas ou língua de sinais
(Rowland e Schweigert, 1989; Rowland & Stremel-Campbell, 1987).Eles
geralmente apresentam dificuldade de interpretar a informação no que se refere
ao conceito da correspondência um-para-um entre um, ou seja, um som arbitrário
(uma palavra falada) ou movimento (um sinal
de libras) e a sua referência.
Um
ponto importante para o desenvolvimento dos alunos com Surdocegueira e
DMU é justamente desenvolver estratégias
que venha a favorecer esses alunos com práticas pedagógicas inovadoras
contribuindo para aumentar suas capacidades e/ou potencialidades no processo
ensino aprendizagem, como também as adequações do ambiente escolar e familiar
favorecem, influencia de forma significativa no desempenho dos mesmos.
- CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O
TRABALHO COM A CRIANÇA DEFICIENTE MÚLTIPLA SENSORIAL E COM SURDOCEGUEIRA
Livro: Sugestões para modificação do
Ambiente (formato acessível)
-
Sempre
que possível, deve-se usar uma abordagem multissensorial, a qual inclui uma
aprendizagem visual auditiva, tátil e cinestésica;
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Em
vez de colocar objetos na mão da criança, peça a ela que olhe para o objeto,
busque-o ou o explore;
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Deve-se
evitar usar lâmpadas que pisquem, principalmente com crianças que apresentam
histórico de convulsões;
-
Quando
a criança tem problemas motores severos, avalie, junto com o fisioterapeuta ou
com o terapeuta ocupacional, a melhor posição em que ela deve estar antes de
realizar atividades que envolvam a visão;
-
Deve-se
controlar o ambiente educacional quando as crianças se distraem com facilidade.
Devem-se avaliar os estímulos auditivos, olfativos, térmicos e visuais;
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A
criança poderá responder muito lentamente aos estímulos visuais, devido a
problemas de processamento, a medicação, a doenças ou a limitações de ordem
visual. Deve-se dar mais tempo para que a criança possa responder;
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Deve-se
criar oportunidades na rotina diária da criança que lhe proporcionem
experiências de ordem visual. O uso da visão funcional deve ocorrer ao longo do
dia e não apenas durante atividades estruturadas;
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Em
casa, a criança deve estar sempre numa posição em que possa observar de perto
para poder participar nas atividades da rotina da vida familiar;
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Deve-se
criar condições para que a criança possa desenvolver corretamente os conceitos,
descobrindo por experiência própria, pela visão, audição e pelo tato, qual a
origem de certas coisas. Por exemplo: Ao invés de fazer encher o copo com
leite, leve-a até a geladeira para buscar o pacote de leite, abra-o e coloque-o
leite no copo e retorne com ela para guardar o leite na geladeira.
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| Figura 2- Professora desenvolvendo uma atividade com aluno com DMU, textura, cores.... |




Socorro. Parabéns pelo texto. Muito bem escrito e ilustrado. O viideo foi bem interessante, pois mostra bem como é possivel a aprendizagem, por mais difícil que pareça, quando há oportunidade e determinação
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